A Páscoa, os ovos de chocolate e a pandemia.

No início da década de 1990 fizemos a nossa empresa de consultoria, (eu, engenheiro e humanista e minha esposa, socióloga e sensitivamente intuitiva).

Nessa época, iniciamos a nossa empresa para fornecer serviços de consultoria para o WTC (World Trade Center) de São Paulo, que estava iniciando a sua construção, em São Paulo.

Hoje, no meio do século seguinte, minha esposa me lembrou que na gênese de nossa empresa resolvemos adotar um princípio moral e ético que foi muito importante para a gente poder dormir sem problemas éticos, desde então: Tão importante como escolher os seus fornecedores de forma ética é importante também escolher os seus clientes de forma ética, de forma a ter coerência, neste mundo cheio de oportunidades.

Um de nossos clientes era uma famosa empreiteira baiana, que costumava receber muitos projetos privados e governamentais naquela época. Durante a construção do WTC eles tentaram fazer com que a gente fizesse declarações e documentos falsos que os ajudariam a conseguir mais projetos ou que barateassem a implantação daquele projeto, diminuindo ou comprometendo a qualidade do mesmo.

Nós nos negamos a fazer isso. Mesmo assim fomos convidados a participar de projetos posteriores dessa empreiteira e tivemos a felicidade de poder negar nossa participação, mesmo perdendo oportunidades de lucrar com isso.

Pois é. Hoje vimos reportagens e propagandas sobre as empresas fabricantes de produtos de chocolate, e suas abordagens para colocação de seus produtos na Páscoa, durante este ano de 2021, em plena pandemia. Apenas para registro para as gerações futuras, nesta semana, cerca de 3 a 4 mil pessoas estão morrendo, todo dia, devido à pandemia de COVID-19, que assola o Brasil. Isso vai cair nos vestibulares e no ENEN, daqui a alguns anos…

Nessas reportagens, vimos a atitude de um empresário que fez alguns milhares de ovos de páscoa para serem distribuídos para crianças que ficaram em situação de pobreza extrema, devido as condições sociais e econômicas geradas por essa pandemia em 2021. Esse empresário saiu do chão e conseguiu fazer uma empresa que hoje rivaliza e detona com uma empresa que foi a fabricante de um dos melhores chocolates que este país já teve.

Foi aí que a gente se lembrou dessa concorrente desse empresário, que emprestou sua marca, através de uma franquia em uma loja de chocolates em um Shopping do Rio de Janeiro, para o filho do pior presidente que esta mal fadada república já teve em sua história.

E pensamos: nunca mais a gente vai comprar chocolates dessa marca…

Porque o consumidor é o eleitor, no tempo entre as eleições. Se conseguirmos desenvolver essa consciência e evitar o consumo nas empresas que se prestam a esquemas criminosos, ou à promoção de pessoas duvidosas e criminosas, o mundo só pode melhorar.

É tudo uma questão de consciência. É uma questão de se informar, separar a verdade das “fake news” e a ideologia daquilo que é verdadeiro e bom para a sociedade.

E isso é bom para todo mundo.

Marrey Peres Jr.
03 de abril de 2021.