Nosso projeto editorial

Projeto Editorial ATO LIVRE – Inverno de 2011

Libertário de nascença, o ATO LIVRE, um fanzine mimeografado, idealizado e editado por Marrey Peres, circulou pela primeira vez em junho de 1980. Naquela época reconhecia-se como um jornal aperiódico, pois saía quando a gente tinha dinheiro e quando as condições políticas e de segurança assim o permitiam. Teve a sua única edição impressa em abril de 1986; nesta, em editorial, falava-se do exercício da solidariedade como forma de luta pela autonomia, pela liberdade e pelo direito que a gente tinha de dizer tudo o que pensava (naquela época estávamos saindo de uma ditadura militar). E mais, o editorial fazia clara opção à Sociedade Alternativa, ou uma alternativa real à sociedade que lá estava.

Ainda naquela edição de abril de 1986, o ATO LIVRE publicou nas suas páginas centrais um artigo denominado Adeus à Revolução, escrito em 1985 por  Tomas Ibanez, professor da Universidade Independente de Barcelona, Espanha. Entre vários tópicos de reflexão destacava-se: “Os libertários, e com eles milhões de pessoas, sonham mais ou menos com uma mutação social que desemboque numa sociedade radicalmente diferente daquela que conhecemos. Este sonho constitui, com efeito, um elemento do imaginário social do tempo recente, no qual se considera que as formas sociais são formas sócio-históricas, isto é, formas relativas e que é possível agir sobre elas para modificá-las voluntariamente. Desejar ativamente viver em um outro lugar, em oposição ao social-instituído que conhecemos, constitui certamente o imperativo de toda ética. Não é então o desejo de revolução que está sendo colocado em pauta. Ao contrário, o desejo de revolução constitui um elemento fundamental de todo pensamento crítico e é parte indispensável da utopia libertária”.

Destaca-se ainda que naquela edição histórica do ATO LIVRE, ficou claramente delineado o rumo editorial do então fanzine libertário. A publicação difundia a luta por uma  transformação social fundamentada no binômio: desenvolvimento sustentável e cultura de paz.

Depois de 25 anos muita coisa rolou nesse mundo afora: o muro de Berlim caiu, a União Soviética implodiu, os Estados Unidos e seus camaradas continuam exportando violência e, o mais grave, o planeta sinalizou concretamente que pode ser dizimado pela irresponsabilidade das elites que dominam o mundo contemporâneo.

Por outro lado, o mundo conheceu uma revolução tecnológica que veio para ficar. Foi no bojo dela que em 2010 o ATO LIVRE voltou eletronicamente com o mesmo ideal libertário, sintetizado no lema: por uma vida mais simples e mais justa.  Isso significa dizer que é possível consumir sem ser consumista e incluir todos sem excluir ninguém.

É como catalisador de informações que convergem a este ideal libertário que o ATO LIVRE se coloca como instrumento de comunicação. Para isso é necessário fazer um veículo apartidário, sem vinculação religiosa, sem linguagem panfletária e desprovido de qualquer tipo de preconceito.

A linha editorial continua rigorosamente a mesma, ou seja, a gente acredita que é possível implementar uma política econômica que tenha como princípio o desenvolvimento sustentável, de um lado e, de outro, uma sociedade organizada tendo como pano de fundo a cultura de paz.

De forma convergente com essa linha editorial, o ATO LIVRE vai comentar notícias ou fatos que estão repercutindo na sociedade. Vai também ter as suas colunas (colunistas permanentes). Os editores escreverão regularmente as suas Cartas; os leitores também. Articulistas serão convidados a opinarem através de artigos sobre temas atuais. O ATO LIVRE terá a sua biblioteca de artigos clássicos convergentes com a linha editorial do veículo. Entrevistas, fóruns e links interessantes também são partes deste projeto editorial.

A Sociedade Alternativa continua sendo o sonho; o ATO LIVRE a realidade de que é possível construir o sonho todos os dias.

São Paulo, 01 de julho de 2011.

 

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